Mesmo com um recorde na arrecadação de impostos, o Brasil segue registrando um déficit público crescente. O paradoxo preocupa: o governo arrecada mais como nunca, mas gasta ainda mais — e de forma descontrolada.
De janeiro a julho de 2025, a arrecadação federal superou os R$ 1,4 trilhão, impulsionada por aumentos de impostos, tarifas e tributos sobre consumo e produção. Ainda assim, o déficit nas contas públicas não dá sinais de recuo.
O que explica esse desequilíbrio? A resposta está em dois fatores principais:
1. Aumento da carga tributária:
O chamado “tarifaço” aprovado no início do ano e outras medidas de elevação de impostos têm pressionado empresas e consumidores. A arrecadação sobe, mas à custa da atividade econômica, que desacelera diante dos custos crescentes.
2. Gastos públicos sem controle:
Enquanto o contribuinte paga mais, o Estado continua gastando de forma ineficiente. Programas inchados, folha de pagamento crescente, emendas parlamentares bilionárias e falta de cortes reais nas despesas comprometem o equilíbrio fiscal.
E onde entra a inflação?
Esse desajuste impacta diretamente o bolso do cidadão. Com mais impostos e mais gastos, o governo injeta dinheiro na economia sem lastro produtivo, o que gera pressão inflacionária. Além disso, o aumento da dívida pública eleva o risco país, afugenta investimentos e encarece o crédito.
O ciclo vicioso
Estamos diante de um ciclo vicioso: mais impostos → mais arrecadação → mais gastos → mais déficit → mais inflação → mais aperto no orçamento das famílias.
É preciso romper esse ciclo com reforma fiscal de verdade, contenção de despesas públicas e eficiência na gestão. Sem isso, a conta continuará caindo no colo da população.
Mais arrecadação sem controle dos gastos é como encher um balde furado.
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Por Marcelo Santana e José Augusto Torres










