O recente confronto entre as forças de segurança e o Comando Vermelho (CV) no Rio de Janeiro escancarou, mais uma vez, a face trágica de um país refém da criminalidade e da omissão estatal. O saldo — mais de cento e trinta mortos, incluindo quatro policiais — não é apenas o retrato da violência urbana, mas a prova de que o Estado brasileiro vem perdendo, há anos, o controle sobre parte de seu território.
Durante décadas, o poder público preferiu romantizar a criminalidade e adotar políticas de “diálogo com o tráfico”, enquanto o crime se organizava, se armava e criava um verdadeiro Estado paralelo. Hoje, facções como o CV dominam comunidades inteiras, controlam o comércio local, impõem leis próprias e até determinam o funcionamento de serviços públicos. A polícia, por sua vez, entra e sai desses territórios sem presença permanente, em operações pontuais que produzem efeitos passageiros e inevitavelmente altos custos humanos.
O Comando Vermelho já não é uma organização marginalizada: é uma máquina milionária, com tentáculos que vão da lavagem de dinheiro à cooptação política. Investigações recentes apontam movimentações financeiras de mais de R$ 250 milhões, ligações internacionais com máfias europeias e quadrilhas norte-americanas, e forte presença em estados fora do eixo Rio-São Paulo. Trata-se, portanto, de uma ameaça nacional à soberania brasileira, que exige coordenação e firmeza.
O episódio expôs também o fracasso da política de segurança pública baseada apenas em operações espetaculares. A cada incursão, vidas são perdidas, mas as estruturas do crime permanecem intocadas. O problema é estrutural: o Brasil carece de uma política de Estado que una repressão efetiva com inteligência, bloqueio financeiro e reformas sociais profundas. Reagir ao crime com discursos ideológicos ou promessas vazias é apenas prolongar a agonia de milhões de cidadãos que vivem sob o medo.
Enquanto o governo federal insiste em minimizar a gravidade da situação, preferindo atacar as forças policiais em vez de fortalecê-las, os criminosos se adaptam, se comunicam e ampliam seu poder. O país precisa recuperar a noção de autoridade, mérito e responsabilidade, pilares de uma sociedade livre e segura. A segurança pública não é um tema para militância política — é o fundamento da liberdade individual. Sem ela, o cidadão de bem permanece refém, e o crime governa.
O Rio de Janeiro simboliza o que acontece quando o Estado cede terreno ao caos. Ou o Brasil enfrenta com seriedade o crime organizado — fortalecendo suas instituições, valorizando suas polícias e punindo de fato quem enriquece com o tráfico — ou continuaremos assistindo a essa triste repetição de tragédias.
O que ocorreu nesta semana não é um caso isolado: é um alerta nacional. A escolha é clara — ou o Estado retoma o controle, ou o crime continuará a ditar as regras.
Por Marcelo Santtana










